O ministro Dias Toffoli, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou o combate à desinformação e a ampliação da participação feminina na política como alguns dos principais desafios para as próximas eleições brasileiras. As declarações foram feitas neste sábado (24), durante seminário promovido pelo TSE, em Brasília, que reúne representantes de 49 países para acompanhar o segundo turno das Eleições 2026.
Durante a palestra “Eleições Gerais 2026: quadro geral e grandes números”, Toffoli destacou avanços da Justiça Eleitoral, como a utilização da urna eletrônica e o cadastramento biométrico de aproximadamente 90% do eleitorado brasileiro. Segundo o ministro, essas ferramentas contribuem para a segurança do processo eleitoral e para a identificação dos eleitores.
Combate à desinformação nas redes sociais
O ministro ressaltou a importância de enfrentar a disseminação de informações falsas, especialmente diante da expansão das redes sociais e das novas tecnologias de comunicação. Entre as iniciativas mencionadas, estão regras para os canais de comunicação das campanhas eleitorais e acordos com plataformas digitais para ampliar a transparência durante o período de votação.
Toffoli também chamou a atenção para os desafios relacionados ao uso de robôs, chatbots e impulsionamento de conteúdos com potencial de influenciar o debate público. O tema foi apresentado como uma das questões que exigem atenção das autoridades eleitorais para garantir condições adequadas de participação política.
Ministro defende campanhas focadas em propostas
Outro ponto abordado pelo magistrado foi a necessidade de priorizar propostas e programas de governo na comunicação dos candidatos. Para ele, os canais de propaganda eleitoral devem contribuir para que os eleitores conheçam as ideias apresentadas pelas candidaturas, em vez de se concentrarem em ataques pessoais e acusações.
Ao comentar os efeitos da polarização política, Toffoli defendeu que a discussão pública volte a priorizar os temas relacionados à política e à administração pública. “Nós temos que fazer com que a política volte a discutir política. Esse é um grande desafio, eu penso, não só para o Brasil, mas para grande parte do mundo democrático”, afirmou.
Participação feminina na política
A ampliação da presença das mulheres nos espaços de poder também esteve entre os assuntos da palestra. Toffoli lembrou que as mulheres representam mais de 52% do eleitorado brasileiro, mas ocupam menos de 20% das cadeiras do Parlamento, segundo os dados apresentados pelo ministro.
Ele citou decisões judiciais relacionadas à distribuição de recursos para candidaturas femininas e defendeu a discussão de medidas que avancem além das cotas de participação. Entre os pontos mencionados estão o combate à discriminação e a criação de condições para ampliar a presença efetiva das mulheres nos parlamentos.
Ao tratar do papel da Justiça na promoção da igualdade, o ministro afirmou que decisões judiciais podem contribuir para garantir o cumprimento dos princípios previstos na Constituição Federal. Para Toffoli, a redução das desigualdades na participação política feminina permanece como uma questão relevante para o desenvolvimento democrático do país.






